sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

"...O Amor Que Tive e Perdi..."


“Quando não temos, Queremos!
Quando conseguimos não valorizamos!
E quando perdemos, nos damos conta do que tivemos e não soubemos aproveitar!”

Muitas pessoas podem se identificar com essa pequena estrofe...
Assim quando acontece conosco, nos damos conta e juramos não repetir o mesmo erro,
Mais ai quando vamos ver...PRONTO! Já fizemos de novo...
O fato é... Nunca estamos satisfeitos com nossas conquistas...Sempre achamos algo que precisa ser mudado, apagado, questionado, e ai já viu né, voltamos a estaca zero!

Como dizia nosso poeta Vinicius de Moraes:

“ A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros nessa vida...”

E na maioria das vezes esses desencontros que na verdade seria pra ser uma linda historia de amor, acaba se transformando em apenas lembranças... Lembranças daquilo que tivemos e agora não temos... Lembranças de bons momentos que pra você agora parecem que foram apenas sonhos, pois não se conforma, não acredita que tudo acabou, que tudo passou... E ai esta lançado o maior desafio...

“Matar cada dia dentro de você aquela pessoa que não mais voltara para ti...”

Um Beijo... ( Vinicius de Moraes )


Um minuto o nosso beijo
Um só minuto; no entanto
Nesse minuto de beijo
Quantos segundos de espanto!
Quantas mães e esposas loucas
Pelo drama de um momento
Quantos milhares de bocas
Uivando de sofrimento!
Quantas crianças nascendo
Para morrer em seguida
Quanta carne se rompendo
Quanta morte pela vida!
Quantos adeuses efêmeros
Tornados o último adeus
Quantas tíbias, quantos fêmures
Quanta loucura de Deus!
Que mundo de mal-amadas
Com as esperanças perdidas
Que cardume de afogadas
Que pomar de suicidas!
Que mar de entranhas correndo
De corpos desfalecidos
Que choque de trens horrendo
Quantos mortos e feridos!
Que dízima de doentes
Recebendo a extrema-unção
Quanto sangue derramado
Dentro do meu coração!
Quanto cadáver sozinho
Em mesa de necrotério
Quanta morte sem carinho
Quanto canhenho funéreo!
Que plantel de prisioneiros
Tendo as unhas arrancadas
Quantos beijos derradeiros
Quantos mortos nas estradas!
Que safra de uxoricidas
A bala, a punhal, a mão
Quantas mulheres batidas
Quantos dentes pelo chão!
Que monte de nascituros
Atirados nos baldios
Quantos fetos nos monturos
Quanta placenta nos rios!
Quantos mortos pela frente
Quantos mortos à traição
Quantos mortos de repente
Quantos mortos sem razão!
Quanto câncer sub-reptício
Cujo amanhã será tarde
Quanta tara, quanto vício
Quanto enfarte do miocárdio
Quanto medo, quanto pranto
Quanta paixão, quanto luto!...
Tudo isso pelo encanto
Desse beijo de um minuto:
Desse beijo de um minuto
Mas que cria, em seu transporte
De um minuto, a eternidade
E a vida, de tanta morte...